Zoonoses

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Apesar da importância afetiva e do forte elo de amizade que os animais domésticos representam num lar para toda uma família, eles também podem ser transmissores de várias doenças para as pessoas que com eles convivem.

 
Estas doenças transmissíveis dos animais para o homem são conhecidas como zoonoses, segundo a denominação da Organização Mundial de Saúde.

O mádico veterinário tem também a incumbência de informar ao público possuidor de animais de companhia sobre os riscos potenciais representados por estas moléstias, bem como orientar uma forma de minimizar as oportunidades de exposição a estes donos e especialmente às crianças.

Convém salientar que grande parte das zoonoses tem uma transmissão exacerbada em pessoas com sistemas imunológicos suprimidos ou com baixa resistência. Este quadro pode ser potencialmente agravado quando o manejo e tratamento dos animais não são feitos adequadamente e a higiene é precária.

A título de melhor esclarecimento, comentaremos de forma sucinta as principais zoonoses. Obviamente, não somos especialistas em zoonoses e o intuito do presente trabalho em hipótese alguma tem a pretensão de esgotar o assunto, pois ele é bastante vasto e complexo. O objetivo dele, portanto, é esclarecer aspectos e cuidados básicos sobre as principais doenças que podem ser transmitidas dos animais para o homem.

Atualmente, com o aumento populacional tanto dos animais como dos seres humanos, a preocupação com as zoonoses tem se agravado consideravelmente e se acredita que este problema tenda a piorar no futuro.

À medida que outras doenças com potencial zoonótico que aqui não citadas causarem interesse ou dúvidas, elas futuramente poderão ser incluídas nesta listagem. 

RAIVA

Dentre as várias zoonoses descritas, a principal, mais divulgada e temida é a raiva, pois a raiva infecta os mamíferos e depois de adquirida é uma doença que não tem cura.

As mordidas de cães e gatos em humanos representam grave problema, quer com relação ao traumatismo que propiciam, quer com contaminações secundárias que as bactérias presentes nos dentes e na cavidade oral possam provocar.

Além dos inconvenientes e conseqüências da mordida em si, uma das principais formas de transmissão da raiva é justamente através da mordida de um cão ou gato portador do vírus da raiva.

A única forma que temos de prevenir a raiva é através de vacinações anuais de todos cães e gatos, pois a taxa de mortalidade em seres humanos contaminados é de praticamente 100%, tornando a prevenção desta zoonose de suma importância.

Para maiores esclarecimentos leia mais sobre a raiva em nosso site em: Você já ouviu falar de Raiva? 

LEPTOSPIROSES

Existem várias linhagens patogênicas da bactéria Leptospira interrogans, as quais podem acometer os mamíferos domésticos e silvestres e, por ser uma zoonose, também apresenta riscos para os seres humanos.

 
Além dos ratos, os cães, gatos, etc., vários outros mamíferos também podem atuar como vetores para a contaminação humana. A infecção humana pode ocorrer através da exposição à urina, sangue ou tecidos infectados, ou da ingestão acidental de água contaminada por urina de animais infectados por Leptospira interrogans.

Melhorias nas condições de higiene e a adequada vacinação anual dos animais são importantes medidas na prevenção das leptospiroses.

Para maiores esclarecimentos leia mais sobre esta doença em nosso site em:Leptospiroses.

 

LEISHMANIOSES

A leishmaniose é causada por um protozoário provocando uma doença que pode apresentar-se no cão de duas formas distintas: uma cutânea ou tegumentar e outra visceral.

 
Na forma cutânea, as lesões são úlceras superficiais, aparecendo freqüentemente nos lábios e pálpebras.

Já a leishmaniose visceral é uma doença grave e fatal, tanto para o cão como para o homem. É reconhecida como uma importante zoonose e o cão é considerado como o principal reservatório de infecção para o homem.

Atualmente a leishmaniose visceral constitui um sério problema de saúde pública e vem se intensificando nos centros urbanos. Atualmente no Brasil, a doença está distribuída em pelo menos 22 dos 27 estados do país. O Ministério da Saúde estima que para cada caso humano, há uma média de cerca de 200 cães infectados.

A leishmaniose é transmitida pela picada de um mosquito flebotomídeo infectado, o mosquito palha. Após a picada do mosquito, o protozoário inicia sua replicação assim que atinge a circulação sangüínea do cão. A partir do momento que este cão possui a Leishmania sp em sua circulação, ele passa a ser fonte de infecção para outros mosquitos, os quais por sua vez, podem contaminar outros cães e também oe seres humanos.

O tratamento da leishmaniose é indicado apenas para o homem. O Ministério da Saúde recomenda que os medicamentos utilizados para os humanos não sejam utilizados para os animais, particularmente os cães, a fim de se evitar o desenvolvimento de parasitas resistentes.

Os proprietários de animais precisam se conscientizar da importância do combate aos mosquitos, através do uso de inseticidas e repelentes nos cães e do emprego de medidas de saneamento básico.

 
Atualmente existe à disposição no mercado um produto eficaz no combate ao mosquito vetor e o seu uso nos cães reduz significativamente o risco de contaminação com a Leishmania sp.

Para maiores esclarecimentos, leia mais sobre esta doença em nosso site:Leishmanioses.

 

TOXOPLASMOSE

Freqüentemente o veterinário é questionado a respeito da toxoplasmose, principalmente quando há uma mulher grávida na família, ou um planejamento de gravidez e esta família possui animais domésticos em casa.

É, portanto, importante que se dê algumas informações sobre a toxoplasmose, que é uma zoonose.

Vários animais de sangue quente podem se infectar com o parasita protozoárioToxoplasma gondii. Entretanto, o gato doméstico parece ser o único o hospedeiro definitivo, ou seja, aquele em que ocorre o ciclo sexual do parasita.

Os gatos se infectam através da fase móvel do protozoário denominada de trofozoítos ao ingerir animais caçados ou ingerir carne crua de animais contaminados, carne esta que contém os trofozoítos.Posteriormente os gatos eliminam oocistos infectantes em suas fezes, os quais podem sobreviver vários meses no meio ambiente.

A infecção humana pode ocorrer através da ingestão acidental de oocistos provenientes de fezes de gatos ou da ingestão de carne mal cozida, ou pela via transplacentária.

Raramente a infecção irá produzir doença clínica em seres humanos adultos a não ser que estejam imunocomprometidos, isto é com queda de resistência. Entretanto, a infecção congênita do feto humano através da transmissão placentária é a que mais preocupa e representa uma séria ameaça, pois pode levar a graves moléstias por ocasião do nascimento, com inclusive irreversíveis afecções oculares.

A possibilidade de ingestão de carne mal cozida pelo homem torna questionável a presença do gato na transmissão da toxoplasmose para os seres humanos.

Para reduzirmos as possibilidades de contaminação, as “caixas de necessidades” dos gatos, ou seja, aquela bandeja onde eles evacuam e urinam, devem ser limpas diariamente. Mulheres grávidas nunca devem limpar estas caixas, pelo risco de exposição aos oocistos infectantes.

Não devemos oferecer carne crua aos gatos e se possível evitarmos que cacem (o que é muito difícil na prática), principalmente quando houver possibilidade de gestação na casa.

O teste sorológico dos gatos não tem muita validade, pois um título positivo não comprova uma infecção ativa ou a presença de oocistos nas fezes. 

GIARDÍASE

A giardíase é uma das doenças intestinais mais freqüentes nos animais domésticos, tendo mostrado altos índices de contaminação em várias regiões do país.

Nos cães e gatos esta enfermidade provoca uma enterite, ou seja, diarréia com odor fétido, com presença de fezes moles, às vezes com muco e estrias de sangue, desidratação, cansaço e falta de apetite.

O agente causador desta doença é um parasita protozoário Giardia lamblia que vive no trato digestivo dos animais. Por ser uma zoonose, pode ser transmissível para os seres humanos, principalmente para as crianças que tenham tido contato com animais doentes. Os seres humanos, quando com giardíase, apresentam sintomas muito semelhantes aos dos animais.

 

Ciclo da giardia (Giardia lamblia)

Apesar da doença atualmente ser bastante conhecida é pouco diagnosticada. Um diagnóstico correto propicia tratamento adequado com medicamentos específicos e com uma melhoria nos hábitos de higiene, evitando água contaminada, lavando bem as mãos e alimentos antes de ingeridos e limpeza do meio ambiente.

Os surtos de giardíase nos cães e gatos ocorrem principalmente no verão, época esta que também devemos tomar mais cuidado com as crianças que estão expostas ou em contato com animais.

Uma vez que o cisto da Giardia lamblia (forma infectante do parasita) se instale no meio ambiente torna-se mais difícil de eliminá-lo, pois esta forma pode resistir por longos períodos, mesmo em climas frios e úmidos.

Mesmo em cães e gatos saudáveis, que não apresentem sintomas, podem ser feitos exames de fezes como controle. Atualmente existe uma vacina para os cães que promove a diminuição na eliminação dos cistos, responsáveis pelo início do ciclo da giardíase canina. 

DIROFILARIOSE

A dirofilariose é causada pela Dirofilaria immitis, que é um parasita cardiopulmonar de evolução fatal tanto para os cães quanto os gatos.

É transmitida através da picada de várias espécies de mosquitos sugadores de sangue, os quais picando animais infectados, contaminam-se com as formas jovens denominadas de microfilárias. Posteriormente, picando animais saudáveis, as microfilárias serão inoculadas e se tornarão formas adultas, as quais se instalarão no coração, completando assim o ciclo.

É uma doença considerada um desafio para os veterinários porque canídeos selvagens e domésticos, fora do alcance de cuidados veterinários, normalmente funcionam como reservatórios da doença. Não se tem atualmente dados estatísticos da ocorrência da dirofilariose em muitas regiões do mundo. Sabe-se, entretanto, que as regiões potencialmente endêmicas são as regiões tropicais, devido à presença de muitas espécies de mosquitos e pernilongos.

É considerada uma zoonose, pois a Dirofilaria immitis também pode parasitar o homem. Em nosso meio a dirofilariose humana é raramente conhecida e as larvas mortas do parasita costumam provocar obstruções nos pulmões. O diagnóstico é obtido através de chapas radiográficas e em condições mais sérias requer remoção cirúrgica.

A principal forma de combate da dirofilariose é a preventiva, através da eliminação dos mosquitos, por meio da drenagem dos charcos.

Para os cães e gatos, temos atualmente à disposição no mercado modernos produtos microfilaricidas, os quais quando administrados nos animais preventivamente, não permitem que as microfilárias se desenvolvam e completem o ciclo. O uso dos microfilaricidas tem a função de evitar a disseminação da dirofilariose pelos mosquitos nos animais saudáveis.

Atualmente existe um kit de alta confiabilidade que, com o sangue do animal suspeito, o exame pode ser feito nas clínicas veterinárias, o qual, em poucos minutos, nos fornece o resultado se o cão apresenta a doença.

Para maiores esclarecimentos sobre esta doença, leia em nosso site os seguintes artigos: Dirofilariose e Diagnóstico de Dirofilariose, Erliquiose e Lyme.

 

ERLIQUIOSE

A erliquiose é causada por microorganismos do grupo das riquétsias, principalmente a Ehrlichia canis.

 
A erliquiose canina é transmitida pela transferência do sangue de um cão infectado para um cão susceptível. Esta transferência ocorre na natureza principalmente pela picada do carrapato vermelho do cão, o Rhipicephalus sanguineus (veja mais em nosso site a matéria Carrapatos). Pode também ocorrer pela transfusão sangüínea de cães cronicamente infectados, isto é, através da doação de sangue, um cão infectado com Ehrlichia canis pode transmitir essa doença para um cão saudável.

Na primeira fase da doença, chamada de fase aguda, o animal apresenta sintomas brandos, como febre, inapetência e prostração, sintomas estes que muitas vezes passam despercebidos pelos proprietários, pois freqüentemente temos uma melhora do quadro clínico mesmo sem tratamento, onde o cão volta a se alimentar e o estado febril tende a cessar.

Entretanto, alguns animais poderão ser acometidos pela fase crônica da erliquiose e nesta fase o parasita penetra na corrente sangüínea e linfática, multiplicando-se no organismo do cão. Esta segunda fase da erliquiose canina pode durar de uma a seis semanas e o animal pode apresentar diversos sintomas clínicos, como sintomas neurológicos, dores articulares, fraqueza, emagrecimento, depressão.

Podemos também verificar alterações laboratoriais variadas, tais como anemia e diminuição considerável do número de plaquetas, levando muitas vezes a hemorragias.

A erliquiose canina é considerada uma doença grave que pode levar o cão à morte se não tratada a tempo. O diagnóstico precoce desta enfermidade (na fase aguda) é fundamental, pois animais tratados na fase aguda têm maiores possibilidades de sucesso.

Numa clínica veterinária, o diagnóstico desta enfermidade pode ser feito facilmente através de um exame de sangue com algumas gotas de sangue, e o resultado sai em menos de dez minutos.

Este exame pode ser feito em animais suspeitos e antes de transfusões sangüíneas.

O sucesso do tratamento depende em grande parte do rápido diagnóstico. Outra razão importante do rápido diagnóstico e tratamento desta enfermidade, é que a erliquiose canina pode ser transmitida para o homem, sendo por isso considerada uma zoonose.

Portanto, como medida profilática, o controle de carrapatos nos cães e visitas regulares ao médico veterinário são de extrema importância.

Para maiores esclarecimentos sobre esta doença, leia em nosso site: Diagnóstico de Dirofilariose, Erliquiose e Lyme

 

Larva Migrans Cutânea ou Bicho Geográfico   

O bicho geográfico ou larva migrans cutânea é uma zoonose bastante comum causada pela larva do Ancylostoma braziliense, presente nos cães, gatos e outros carnívoros, e também pela larva do Ancylostoma caninum, a qual acomete os cães.

Estas larvas pertencem ao grupo dos vermes redondos denominados de ancilostomídeos e são freqüentemente encontradas nos cães e gatos, particularmente nos intestinos, dependendo de seus hospedeiros para sua nutrição. Popularmente são denominadas de vermes intestinais ou, tecnicamente, de endoparasitas.
 

A infestação ocorre principalmente após o contato com solo contaminado com as fezes de cães e gatos parasitados. É comum encontrarmos estes solos contaminados nas praias, tanques de areias dos parques e outros solos ricos em aeração, onde cães parasitados evacuam, disseminando assim os ovos.

Depois de 2 a 8 dias no meio ambiente, as larvas eclodem dos ovos e já estão prontas para penetrar na pele intacta dos animais e humanos. Nos seres humanos o parasita é incapaz de migrar para além da junção dermoepidérmica, formando uma lesão sinuosa e saliente, a qual apresenta na porção terminal uma pápula, região onde está localizada a larva. Como esta lesão se assemelham a um mapa, daí seu nome de bicho geográfico.

Bicho geográfico

À medida que a larva se movimenta através do tecido dérmico provoca um intenso prurido e irritação da pele, principalmente à noite, causando na pessoa parasitada insônia e nervosismo.

Nos casos de infestações maciças poderemos ter quadros bem mais complicados com alergias locais e sistêmicas, infecções e eczematização.

O diagnóstico é feito pelo tipo de lesão na pele, tipo de prurido e pela região do corpo onde ocorre. Nos seres humanos, normalmente as partes do corpo mais afetadas são as que têm mais contato com o solo contaminado, tais como os pés, pernas, nádegas, coxas, mãos e antebraços.

Aconselha-se que devam ser evitados aqueles locais sombreados e úmidos nas praias. A proteção do corpo também é fundamental, com o uso de calçados, esteiras, toalhas, etc., impedindo assim o contato do corpo diretamente com a areia.

É conveniente salientar que a posse responsável é fundamental para os proprietários de cães e gatos de forma que haja a conscientização da importância das medidas preventivas. Estamos à disposição para o esclarecimento de dúvidas.
 

Uma das formas da prevenção do bicho geográfico em humanos é a vermifugação regular de todos cães e gatos. Existe atualmente no mercado bons vermífugos formulados adequadamente para este fim.

Outra medida importante é a de se evitar o acesso de cães e gatos àqueles locais públicos, principalmente praias e parques com areia, onde brincam as crianças. Além disso, a pessoa que acompanha o animal para passeio ajuda bastante recolhendo suas fezes.

  

Larva Migrans Visceral  

A larva migrans visceral é uma importante zoonose que pode ocorrer após a ingestão de ovos infectantes do ascarídeo Toxocara canis, o qual é habitualmente um parasita intestinal do cão.

 
Esta larva, proveniente de ovos ingeridos, penetra na parede intestinal dos seres humanos e, embora não possa completar seu ciclo biológico, pode migrar, se alojar e se encapsular em tecidos de diferentes partes do corpo humano antes que seja destruída pelo sistema imunológico do organismo.

A situação epidemiológica típica desta doença envolve uma criança que ainda está aprendendo a andar e ingere terra contaminada com ovos de Toxocara canis. Esta terra contaminada costuma estar num raio de alcance da criança quando, engatinhando, se aproxima de um cão que está preso a uma corrente a maior parte do tempo.

Devido às condições que este cão é criado ele tem por hábito evacuar ali mesmo, ficando este local intensamente contaminado. Estes ovos que apresentam grande resistência no meio ambiente, podem permanecer no solo por longo tempo mesmo após a ausência do animal.

Não é comprovado ainda, embora também possa ser possível, que a pelagem de um cão razoavelmente limpo proporcione um meio suficientemente úmido para o desenvolvimento dos ovos de T. canis. Por isso, é muito mais provável de se pensar que as crianças possam se infectar mais com a ingestão de terra contaminada do que o contato direto com o cão. Por isso, aquelas medidas incessantemente recomendadas da exclusão do cão de estimação do convívio familiar, tendem a não reduzir de forma significativa os riscos de contaminação com larva migrans visceral, caso as crianças ainda tiverem acesso à terra infectada.

Com relação aos gatos, eles têm por hábito evacuar em caixas de areia e, se soltos procurarão locais em que a terra fofa facilite o trabalho das escavações. Embora aparentemente menos importante que o T. canis como causa de larvas migrans visceral em humanos, existe também registros de contaminação do ascarídeo do gato, o Toxocara cati.

È importante lembrar que solos, principalmente as areias, de parques públicos das cidades, podem se tornar locais de defecação habitual de cães adultos e gatos adultos não confinados e com isso tendem a ser pesadamente contaminados com ovos infectantes de T.canis e T.cati.

Já os cãezinhos jovens, têm o hábito de defecar em vários locais, mais ou menos ao acaso, quando não confinados. Caso a mãe não tenha sido vermifugada antes da gestação, suas fezes têm grandes possibilidades de estarem contaminadas com este tipo de verme.
Portanto, com relação aos locais acima mencionados, qualquer área em que o piso não seja impermeável e que não possa ser higienicamente limpa e lavada com frequência, tende a se tornar pesadamente contaminada com ovos de T. canis ouT. cati, sendo, portanto, considerado locais perigosos para crianças brincarem e eventualmente comerem guloseimas. Toxocara canis é um verme tão freqüente nos cães que pode se considerar que cerca de 15% de todos os cães adultos estão infectados. No caso dos filhotes a contaminação é maior ainda.

Embora a moléstia tende a ser subclínica (ou assintomática) na maioria dos casos, a migração das larvas pode ocasionar nos seres humanos sintomas como dores abdominais, náuseas, vômitos, tosse, febre e a formação de significativas reações granulomatosas eosinofílicas provocando uma espécie de nódulo. Estes nódulos contendo as larvas do segundo estágio (L2) deste parasita podem ocorrer no fígado, coração, pulmões, rins e cérebro.

Nos olhos de crianças até os treze anos, estas larvas podem causar o estrabismo, diminuição da visão e uma horrível seqüela, a retinite granulomatosa, levando até mesmo à cegueira devido ao alojamento da larva nos tecidos oculares.

 

Lesão ocular provocada pela Larva Migrans Visceral

A maioria dos cães filhotes adquire a T.canis ainda no útero, e começa a expelir as larvas com cerca de 21 dias de idade. Estas larvas são grandes, podendo ser visíveis em suas fezes e freqüentemente são ingeridas quando a cadela faz a higiene dos filhotes, lambendo-os. 
Um vez que os ovos atingem o meio exterior, há um período de 1 a 2 semanas para que se tornem infectantes.

Os cães e gatos adultos de estimação da família podem ser mantidos livres desta importante parasitose através de vermifugações regulares e adequadas. A vemifugação da mãe e dos filhotes, iniciando nestes últimos o tratamento sem riscos com 2 a 3 semanas de idade e repetindo a cada 2 semanas, por um mínimo de 3 vezes, tem um ótimo resultado no controle.

Muitos dos problemas de contaminação com T. canis e T. cati poderiam ser reduzidos com o tratamento preventivo. Se os filhotes de cães e gatos fossem levados ao veterinário para uma consulta de orientação básica e devida vermifugação a partir do primeiro mês de idade o tratamento instituído não permitiria que as larvas se desenvolvessem, atingissem a maturidade e produzissem ovos contaminantes.

A profissão do veterinário tem a clara missão de proporcionar ao público em geral as informações objetivas que se relacionam com a toxocarose humana, identificando estes parasitas, informando os proprietários de cães e gatos sobre seu ciclo biológico, protegendo tanto quanto possível com vermífugos eficazes e orientando sobre a importância da pronta eliminação do material fecal, tudo isso com o intuito de reduzir a exposição potencial das crianças aos ovos infectantes. 
 

 

DIPILIDIOSE

Dipilidiose é uma zoonose provocada pelo parasita Dipylidium caninum.

D. caninum é um verme que vive no intestino delgado, extremamente comum em cães e em menor extensão em gatos e outros carnívoros silvestres.

Embora o parasitismo por Dipylidium caninum seja considerado pouco patogênico nos cães (capaz de provocar doença) a prevalência, isto é, a freqüência de ocorrência deste verme em algumas regiões pode chegar ao redor de 60% de cães infectados.

Dipylidium caninum pertence ao grupo dos cestódeos, o qual compreende as chamadas tênias, que são vermes chatos, por apresentarem o corpo achatado dorso-ventralmente.

Estes vermes possuem o corpo com a forma segmentada, cuja cabeça, conhecida como escólex, se fixa no intestino do hospedeiro (cão) e seu corpo é dividido em segmentos, denominados de proglotes, segmentos estes que se assemelham a sementes de pepino, os quais destacam-se destes cestóides e são eliminados com as fezes.

As proglotes podem ser observadas nas fezes a olho nu isoladamente ou em grupos e são ativas, porque se movem lentamente sobre ou próximo às fezes recém-evacuadas ou na região próxima ao ânus do cão ou do gato (região perineal).

Em tempo seco as proglotes ressecam e contraem-se rapidamente e podem não ser detectadas. Porém, quando rompidas no meio ambiente, elas liberam os ovos que ficam confinados em cápsulas ovígeras, cápsulas estas contendo mais de 20 ovos.

Principalmente as pulgas e em menor escala também os piolhos mastigadores, desempenham um importante papel no ciclo biológico do Dipylidium caninum, pois funcionam como hospedeiros intermediários.

As larvas das pulgas ao ingerir os ovos de Dipylidium caninum das fezes dos cães, originam uma larva cistecercóide que irá se alojar nas pulgas adultas. Os cães se infectam com o Dipylidium caninum ao se coçarem e se lamberem, pois acabam ingerindo as pulgas infectadas.

Os seres humanos também podem se infestar com a forma adulta de Dipylidium caninum através da ingestão acidental de pulgas parasitadas, neste caso com maior incidência em crianças jovens. Os sintomas mais comuns em crianças são de desconforto, dores abdominais, irritabilidade nervosa, diarréia e prurido anal. Entretanto, o que é mais freqüente na infestação humana é de não exibir sintomas clínicos.

A prevenção da dipilidiose humana é melhor conseguida através da utilização de vermífugos específicos e principalmente no controle das pulgas, pois um cão já vermifugado que venha a ingerir uma pulga infectada acaba por se reinfestar porDipylidium caninum.

É importante salientar que sem o completo controle das pulgas, mesmo que se faça um tratamento adequado com vermífugos específicos para as formas adultas do cestódio (a forma adulta ocorre quando se observa as proglotes presentes nas fezes dos cães e gatos)  geralmente teremos poucos benefícios na prevenção da dipilidiose humana e dos animais domésticos. Isso porque as pulgas fazem parte do ciclo biológico deste verme e são as responsáveis pela sua transmissão (veja nossa matéria sobre Pulgas). 

 

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