Você já ouviu falar de Raiva?

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Para um esclarecimento básico sobre a raiva, pois muita gente ainda a confunde, convém salientar que apesar do nome, não é uma doença que deixa seu cão extremamente bravo, nervoso, revoltado, ou aborrecido. Trata-se de uma doença incurável, portanto sempre fatal (100% fatal!), causada por um vírus da famíliaRhabdoviridae, gênero Lyssavirus, que infecta os mamíferos, particularmente os cães, gatos, morcegos, bovinos, eqüinos, suínos e várias espécies silvestres.


Também é conhecida como hidrofobia (hidro=água; fobia=medo), porque um animal raivoso costuma não beber água e nem se alimentar porque tem dificuldade para engolir.

A raiva é um grave problema de saúde pública, pois não é somente contagiosa de animal para animal, mas também de animal para o homem, colocando em risco sua vida. Por isso é considerada uma das mais graves zoonoses, ou seja, doença transmissível dos animais para os homens.

A principal via de ingresso do vírus da raiva é pela pele, através da mordida de animais raivosos ou portadores, que estejam eliminando o vírus com a saliva. Embora seja a saliva a principal forma de transmissão, sabe-se que também pode ocorrer a contaminação de feridas ou discretos ferimentos da pele com o vírus rábico pelo contato com sangue, urina, fezes e órgãos do animal raivoso, levando depois à progressão da doença de igual forma que a da mordida.

O grande responsável pela transmissão da raiva urbana é o cão raivoso, com o tipo clínico de raiva denominada de “raiva furiosa”, pois antes de morrer, o animal fica extremamente agressivo e pode morder muitos animais. Um fator importante na transmissão da raiva é que os cães raivosos podem eliminar vírus da raiva vários dias antes de apresentar sintomas da doença.

Outros mamíferos domésticos podem ainda ser transmissores e vítimas da raiva urbana, mas de menor importância do que os cães e os gatos, quer por se apresentar em menor número, quer pela menor convivência com humanos do que os cães e gatos. Dentre eles podemos citar, por exemplo, os ratos e macacos, principalmente os saguis.

Sabe-se estatisticamente que cerca de 90% dos casos de raiva em humanos são devidos a mordeduras de cães ou gatos de estimação não vacinados ou dos que vivem abandonados nas ruas.

No ambiente rural, embora os cães também tenham grande importância, o principal transmissor e portador do vírus rábico é o morcego hematófago, ou que se alimenta de sangue (o Desmondus rotundos), considerado este o principal vampiro das Américas, sendo que no Brasil tem causado atualmente muitos prejuízos econômicos.

Este morcego tem o hábito de se alimentar do sangue de animais herbívoros que estejam pastando ao entardecer e à noite, podendo infectar o animal ao sugar o sangue. Além disso, ele costuma voltar nas noites seguintes para se alimentar no mesmo animal e na mesma ferida.

Existem observações que morcegos hematófagos, aparentemente normais, podem eliminar o vírus rábico por períodos de 5 a 7 meses. Para estes morcegos contaminados geralmente existem as seguintes possibilidades: podem desenvolver a raiva e morrer e podem apresentar uma resistência à evolução da doença e se curar.

É importante lembrar que a grande maioria dos morcegos não é hematófaga. Existem muitas espécies de morcegos que se alimentam de insetos (insetívoros), de frutas (frugívoros), de néctar das flores, etc. Algumas espécies de morcegos têm um importante papel na natureza sendo responsáveis, por exemplo, pela dispersão de sementes, pela polinização de flores e controle na população de insetos.

Entretanto, apesar destes serviços benéficos e inestimáveis para a vida do planeta, estes mamíferos que voam estão associados a símbolos de terror, mistérios e antigas superstições, como a de que “os morcegos são ratos velhos que criaram asas”. Obviamente, o morcego e o rato são animais completamente diferentes.

Apesar de conhecermos essas qualidades dos morcegos e sabermos que muitos deles não são causadores da raiva, nunca devemos manipular nenhuma espécie de morcego. Pelo fato sabemos que a raiva é fatal, por segurança não podemos correr o risco de sermos mordidos, arranhados  e nem mesmo lambidos por nenhuma espécie de morcego.
 
 
 
 
                               
Foto do morcego vampiro Desmondus rotundus
 
 
 
Outro detalhe do morcego vampiro Desmondus rotundos 

 


Como até hoje não há nenhuma forma de tratamento para animais raivosos que apresente êxito, qualquer animal que sabidamente apresente raiva ou suspeito, deverá ser eutanasiado (sacrificado).
 
A única forma disponível de combate desta importante doença é a preventiva, através de vacinações anuais de todos animais com vacinas anti-rábicas, as quais devem ser comprovadamente de boa qualidade.

No meio rural, além da vacinação, são utilizadas medidas de combate aos morcegos com o uso de pastas anticoagulantes. Estas pastas são pinceladas na ferida dos herbívoros causadas pelas mordeduras dos morcegos hematófagos, pois quando voltarem para se alimentar, provocarão hemorragias internas nestes morcegos, levando-os à morte.

Em termos de prevenção, o ideal é vacinarmos todos os cães e gatos (100%), ou o mais próximo possível desta porcentagem. A importância das propagandas de vacinação que ocorre no mês de agosto, (mês este conhecido como agosto mês do “cachorro louco”) por todos os meios de divulgação é fundamental para a conscientização da população sobre a importância da vacinação anti-rábica para a saúde pública.

A partir dos 120 dias de idade, ou 4 meses, todos cães e gatos têm de ser vacinados contra raiva e depois estas vacinas devem ser repetidas anualmente. Convém lembrar que não é aconselhável se vacinar cadelas prenhes (grávidas), nem filhotes que tenham menos de 3 meses de idade e nem animais que não estejam saudáveis (com febre, vômitos ou diarréia, por exemplo). Nestes casos é melhor esperar para vaciná-los numa fase mais oportuna.

É dever do médico veterinário colaborar e orientar a execução de todas as medidas que esteja a seu alcance para o combate em massa ou individualmente da raiva urbana e rural. O veterinário deve também sempre esclarecer seus clientes e à população em geral sobre o que é a raiva, como combatê-la e inclusive quando houver contato com animais raivosos ou suspeitos, na orientação dos clientes para procurarem aconselhamento médico especializado nos posto de saúde, no Instituto Pasteur, ou similares.
 
 
 
 

Se por acaso você for mordido por um cão ou gato desconhecido, a primeira coisa a fazer é lavar muito bem o local com água e sabão. É importante procurar saber se o animal que o mordeu tem dono e se ele foi vacinado contra a raiva e está com a vacina em dia. Necessariamente o animal vacinado possui carteirinha de vacinação feita por um veterinário ou um comprovante de vacinação da Campanha de Vacinação, realizada gratuitamente pelo Centro de Controle de Zoonoses todos os anos, nos meses de agosto.

Caso este animal que o tenha mordido possua dono, faça também um acompanhamento dele, junto ao proprietário durante alguns dias, para ver se ele não está doente, se apresenta algum comportamento suspeito, se está se alimentando, bebendo água, etc.  Na dúvida, sempre é fundamental que procure urgentemente um médico para ser orientado e tratado, se for o caso.
 
 

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