Osteossarcoma

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O osteossarcoma é uma importante moléstia óssea neoplásica, considerada um tumor primário maligno, o qual consiste na formação de osteóide, osso e cartilagem maligna. Chama-se tumor primário aquele local onde ele se inicia. E o termo maligno refere-se à tendência dos tumores em formar metástases, isto é, a transferência do tumor primário a outros focos distantes pelos vasos sanguíneos ou pelos canais linfáticos.

O osteossarcoma é o tumor maligno mais comum que aparece no esqueleto apendicular dos cães de raças grandes e gigantes. Em gatos é menos comum e aparentemente também menos maligno do que nos cães.
 
Suspeita-se que nas raças grandes de cães os traumas discretos, porém constantes e crônicos, possam propiciar o aparecimento deste tumor.

O osteossarcoma não parece ser um tumor hereditário, mas mostra haver predisposição racial, sexual, e de também estar relacionado com o grau de maturidade do cão (idade).

Os cães de médio e grande porte, tais como: Pastor Alemão, Dog Alemão, São Bernardo, Boxer, Labrador Retriever, Rottweiller, Doberman, Collie etc., são raças em que a incidência do osteossarcoma é maior. Portanto, a raça do cão é um importante fator no diagnóstico do osteossarcoma.

Com relação aos gatos, as raças domésticas de pelo curto são as descritas com maior incidência.Sabe-se também que estatisticamente, os cães machos são mais predisponentes, na maior parte dos relatos, ao redor de 1,2 : 1.
 
Os sintomas clínicos do osteossarcoma são variados, mas dentre os achados anamnésicos mais comuns, podemos mencionar:

   – Rápido surgimento da claudicação (mancando com o membro afetado), em torno de alguns dias; 
   – Tumefação intensa em torno da lesão, a qual apresenta-se dura e dolorida à palpação; 
   – As vezes o cão pode também apresentar febre e falta de apetite;
   – Ocasionalmente, em casos mais avançados da doença poderemos ter fraturas patológicas.
 
Ao redor de 90% dos casos de osteossarcoma é freqüente a formação de metástases pulmonares microscópicas, já quando o diagnóstico é feito.

A maioria dos osteossarcomas (cerca de 75%) originam-se nos ossos longos e 23% nos ossos planos. Portanto, a relação entre ossos longos ou apendiculares (isto é, membros) e ossos planos ou axiais (caixa craniana, caixa toráxica e coluna vertebral) é de 4:1.

Observa-se também que a maior parte destes tumores, aproximadamente 75%, surgirá na metáfise do osso afetado (metáfise é a região entre a epífise e a diáfise de um osso longo).

 
Para facilitar o entendimento, veja abaixo a ilustração de um osso longo:

 

Estruturas de um osso longo 

 

A proporção entre os membros torácicos e pélvicos acometidos pelo osteossarcoma é de 1,7 : 1. Ou seja, o osteossarcoma é mais comum, primeiramente no membro torácico e depois mais comum na região abaixo cotovelo (rádio distal e úmero proximal). Já no membro posterior, o osteossarcoma é mais comum em torno do joelho (fêmur distal e tíbia proximal).

As radiografias feitas no mínimo em duas posições revelam a presença de áreas líticas e proliferação óssea na região metafisária, reação periostal na maior parte dos casos e aumento acentuado de tecidos moles.
 
A velocidade de crescimento do tumor costuma ser rápida, apesar de muitas vezes não sendo reconhecido facilmente em seus estágios iniciais
.
Como exemplo abaixo, temos quatro chapas radiográficas nas posições látero-lateral e antero-posterior. O cão é macho, raça Doberman com 11 anos de idade, tiradas na Policlínica Veterinária de Cotia, as duas de cima tem apenas 6 meses de intervalo com as duas chapas de baixo. Observe o crescimento do tumor:

 

 

Chapas radiográficas de um cão macho de 11anos de idade, raça Doberman, tiradas num intervalo de 6 meses 

 

O diagnóstico final do osteossarcoma é confirmado pela biópsia da lesão. Porém são fundamentais os dados colhidos durante a anamnese e exame clínico, tais como: raça do cão, idade, sintomas clínicos, radiografias, etc.

O tratamento do osteossarcoma ainda continua sendo um desafio para a pesquisa. Existe uma estatística de que cerca de 10 a 15% dos cães sobrevivem mais de nove meses após o diagnóstico e em seguida feita a amputação do membro afetado.
 
Atualmente, tratamentos quimioterápicos, imunoterápicos e radioterápicos associados com a amputação podem ser utilizados, porém os dados estatísticos mostram um aumento de apenas algumas semanas a mais de sobrevida para o cão acometido.

O prognóstico para a sobrevivência de um cão com osteossarcoma a longo prazo é extremamente desfavorável. Na verdade, os objetivos básicos de um tratamento deveriam visar o alívio da dor e do desconforto como tentativa de melhora na qualidade de vida.

Entretanto, têm-se excepcionalmente alguns relatos de cães que viveram alguns anos após o diagnóstico. Mas infelizmente o que se vê na prática, a despeito da modalidade terapêutica utilizada, é que os cães tendem a viver ao redor de uns 9 meses após o diagnóstico de osteossarcoma.
 

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