Nossos Inimigos, os Ratos

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Existem muitas espécies de ratos mas as que mais interessam ao homem são basicamente três espécies: o Rattus norvegicus, ou a ratazana, o Rattus rattus, ou o rato de telhado e o Mus musculus, que é o nosso conhecido camundongo.

As ratazanas (Rattus norvegicus) são provavelmente originárias da Ásia, da Índia ou da Pérsia. O primeiro naturalista que as incluiu na relação da fauna européia foi Pallas, no séc. XVIII. Acredita-se que em 1728 as ratazanas alcançaram a Inglaterra, em 1753, Paris e em 1809, invadiram a Suíça. Chegaram na América do Norte em 1755. Atualmente este roedor é encontrado em todo o mundo, inclusive nas áreas desérticas e desoladas.

A ratazana, também conhecida como rato de esgoto ou gabiru, é muito agressiva, se encurralada e molestada, a qual poderá dar um rápido salto de até um metro e morder. Pode subir por paredes lisas, sendo ajudada nestas escaladas pelas escamas da cauda. Tem os sentidos bastante desenvolvidos, particularmente a audição, olfato e paladar. Nada perfeitamente graças às membranas interdigitais. Tem hábito noturno e vive em tocas no solo, em colônias, geralmente perto de alguma fonte de alimento. Apresenta divisões hierárquicas (dominados e dominadores) e é muito territorialista. Tem um raio de ação relativamente curto, por volta de uns 50m.

As ratazanas possuem um tamanho junto com a cauda que varia de 25 a 30cm, pesando de 250g até 600g. Têm olhos e orelhas pequenas em relação à cabeça e cauda grossa. Vivem de 2 a 4 anos e as fêmeas criam de 8 a 12 ninhadas por ano, sendo que em cada ninhada têm de 7 a 12 filhotes.

O rato de esgoto é o principal responsável pela infecção humana de uma importante zoonose, denominada de leptospirose, em razão de existir em grande número e da proximidade com os seres humanos. A Leptospira interrogansmultiplica-se nos rins destes roedores sem causar danos e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal (ver leptospiroses).

 


Rattus norvegicus (rato de esgoto ou ratazana)

 

A segunda espécie que mencionamos é o rato de telhado (Rattus rattus). É um rato preto,  também conhecido como rato de forro, rato de paiol ou rato de navio. Este ratos são trepadores bem mais ágeis e escalam com extrema facilidade, dificilmente atacam. Sobem em árvores, calhas, cabos, paredes de tijolos ou concreto, com a mesma rapidez que andam no chão.
 

Os ratos pretos adulto possuem corpo esguio com 16 a 21cm de comprimento podendo pesar de 80 a 300g. A pelagem é delicada com uma coloração de cinza a preta, orelhas e olhos grandes em relação à cabeça. As patas possuem calos estriados e sem membranas interdigitais. A cauda é fina, parecendo um chicote com poucos pelos e medindo até 20cm de comprimento. Possuem um raio de ação de 30 a 60m em relação ao abrigo.

A vida média é de cerca de 1 ano e meio. As fêmeas tem de 4 a 8 ninhadas por ano com 7 a 12 filhotes por ninhada. Os ninhos são geralmente acima do solo nos sótãos, forros de casas, sacarias, frestas de muros, armazéns, porões de navios, etc. Também tem hábito noturno deixando suas fezes com formato afilado por onde passam.


Rattus rattus (rato de telhado ou rato preto)

A terceira espécie mencionada são os camundongos (Mus musculus), embora mais aceita pelas pessoas do que os outros ratos citados acima, talvez pelo pequeno tamanho ou talvez pelos desenhos animados e hitórias em quadrinhos, no entanto é capaz de se  alimentar de 15 a 20 vezes por dia e consegue contaminar 10 vezes mais alimentos do que comer. Um par de camundongos pode produzir 200 descendentes em 4 meses!

Alguns cientistas acreditam que os camundongos se desenvolveram a partir do rato, sob condições em que era menos importante ser grande e feroz do que ser capaz de escapar por pequenos buracos, pois podem se espremer através de aberturas de até 0,5cm de diâmetro.

São encontrados em todo o mundo, desde os trópicos às regiões árticas, existem relatos de camundongos sobrevivendo em câmaras frigoríficas numa temperatura de 10 graus abaixo de zero. Muitos incêndios de causa desconhecida são atribuídos a camundongos que roeram as instalações elétricas.

Os camundongos não têm boa visão, conseguem enxergar apenas a uns 15cm de distância. Entretanto são extremamente adaptados: possuem um mecanismo de proteção que responde ao estresse (barulho, por exemplo), induzindo-os a uma dormência, conservando assim suas reservas fisiológicas. Saltam bem e embora nadem, preferem não fazê-lo, inclusive por não possuírem membrana interdigital.

O camundongo adulto tem um corpo delgado de 8 a 9cm, fora a cauda sem pelos que mede uns 10cm e pesam em média de 10 a 21g. A pelagem é delicada e sedosa de uma coloração marron clara a cinza claro. Tem hábito noturno, esconde-se com extrema facilidade em locais de difícil acesso e possui um raio de ação de 3 a 9m em relação ao abrigo. Possui uma vida média por volta de um ano e as fêmeas criam de 5 a 7 vezes, sendo que cada ninhada tem de 4 a 8 filhotes. Os ninhos podem ser terrestres ou acima do solo, geralmente no interior das residências, em guarda-roupas, frestas de rodapés, prateleiras de livros, locais estes onde encontramos pelos, restos de alimentos, fiapos de panos e tiras de papel.

 


Mus musculus (camundongo)

 

Um dos momentos mais aterrorizantes da história da humanidade foi o aparecimento de uma doença denominada de peste bubônica ou peste negra, durante o século XIV, a qual dizimou um quarto da população total da Europa ou cerca de 25 milhões de pessoas.

A peste bubônica é causada por uma bactéria comum entre os roedores, principalmente os ratos, bactéria esta denominada de Yersinia pestis. Esta bactéria pode ser transmitida para o homem através da pulga destes roedores, aXenopsyla cheopis. Isso acontece quando há uma epizootia, ou seja, a presença de um grande número de animais contaminados. O excesso de bactérias pode entupir o tubo digestivo da pulga, causando problemas em sua alimentação e tornando-a mais voraz. A pulga esfomeada busca novas fontes de alimentos, ou seja, outros mamíferos tais como o homem, cães e gatos. As bactérias são então liberadas na corrente sangüínea dos hospedeiros após a picada, com o relaxamento do tubo digestivo da pulga repleto de bactérias.

 
Depois de 2 a 5 dias surgem os primeiros sintomas da doença como inflamação dos linfonodos e tremedeira. Depois seguem sintomas como dor de cabeça, sonolência, apatia, vertigem, dor nos membros e costas, febre de 40 graus C, delírios, agravando posteriormente com o surgimento da diarréia. A peste bubônica chega a matar cerca de 60% dos casos não tratados.

Felizmente com o desenvolvimento da medicina temos muito mais recursos hoje em dia, porém ainda atualmente a maneira mais eficaz de combate à doença continua a ser a preventiva, através do extermínio dos ratos urbanos e de suas pulgas.

Convém lembrar que o rato, de uma maneira geral, é um dos mais tenazes e espertos animais do mundo. Cerca de 110 milhões deles custam anualmente mais de um bilhão de dólares aos Estados Unidos e Canadá. Um dos maiores criadores de galinhas dos Estados Unidos, por exemplo, afirma que os ratos lhe custam em média, dez mil dolares em rações por ano. Um outro criador conta que os ratos já mataram 1500 pintos numa só noite e roubam uma média de oitenta ovos por semana. Já se calculou que, anualmente, os ratos consomem ou estragam uma quantidade de alimentos equivalente à produção de 265 mil fazendas de tamanho médio.

Poucos materiais de construção podem ser considerados inteiramente à prova de ratos, dizem os cientistas do laboratório de Savannah (USA). Os ratos atravessam com facilidade a madeira, roendo todos os tipos de tábuas. Espumas de vidro de 5 cm de espessura foram atravessadas em 8 noites e, se tiverem tempo, conseguem atravessar lâminas de alumínio grosso e altamente temperado. Os ratos selvagens diferem dos domesticados em agressividade. Painéis que ratos de laboratório não conseguiam danificar em 52 noites, foram completamente furados por ratos recém capturados num período de 4 noites.

Quantos ratos existem na sua propriedade? Um especialista em ratos da Universidade Estadual de Iowa, Harold Gunderson, organizou o seguinte esquema prático para fazendeiros:se você nunca viu um rato, mas notar sinais de sua passagem, ou excrementos, há de um a cem ratos. Se os vê somente de vez em quando e à noite, mas nunca durante o dia, de cem a quinhentos. E, finalmente se você vê muitos ratos à noite e diversos durante o dia, há provavelmente de mil a cinco mil dessas criaturas aborrecidas em sua fazenda.

Campanhas de limpeza reduzem apenas temporariamente o número de ratos. Em uma grande comunidade destes roedores sempre existem aqueles mais espertos que não provarão comida envenenada e nem cairão em ratoeiras. Exterminadores experientes de ratos contam histórias destes roedores veteranos que têm a esperteza de sacudir as ratoeiras até que desarmem para se alimentarem da isca gratuita. Mesmo os técnicos especializados, trabalhando em condições ideais, jamais esperam uma matança superior a 95%. Os ratos remanescentes irão se multiplicar rapidamente que dentro de algum tempo serão tão numerosos quanto antes. Na verdade, a única campanha eficaz contra os ratos é aquela que não termina nunca.

Uma forma prática que temos observado com resultados satisfatórios no controle dos ratos é através de um de seus predadores naturais, que é o gato doméstico. Normalmente em locais que têm um ou mais gatos a população de ratos é muito reduzida ou praticamente nula, quer por serem continuamente caçados, quer pela própria presença do gato, o qual é percebido pelo apurado olfato do rato, desencorajando assim estes indesejáveis roedores das proximidades de nossas firmas ou residências.

 

 

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