Louva-a-Deus

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Louvaadeus4 Abrange todos os insetos ortópteros da família Mantídeos. São quase eretos, com cabeça triangular bastante móvel, antenas finas e olhos grandes que lhe dão um ar estrábico. São muito bem caracterizados pelo primeiro par de patas transformados em armas de caça e munidas de grandes espinhos, fortes e agudos. No repouso ou quando comem, juntam este par de patas, levantando-as dobradas, imitando assim a posição das mãos postas para a reza. É, no entanto, bem conhecida sua hipocrisia e a atitude beata mal disfarça os punhais que o louva-a-Deus logo em seguida vai encravar nos insetos e devorá-los com avidez. Além disso, apesar de seu aspecto de santo os louva-a-Deus são insetos bastante agressivos e as fêmeas têm o péssimo hábito de devorar os machos após a fecundação.

A espécie mais encontrada entre nós pertence ao gênero Stagmatoptera, que apresenta coloração verde e a asa superior tem uma mancha redonda escura, com sinal branco em forma de vírgula grossa e as asas posteriores dobram em leque. O tamanho das espécies de louva-a-Deus é muito variado, algumas atingem uns 10cm, enquanto que outras são menores, ao redor de 1cm.

Muitas formas são exemplos admiráveis de mimetismo, cujas asas, na forma e na cor, imitam o aspecto de flores, folhas verdes, carcomidas ou murchas e dilaceradas.

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Apesar do louva-a-Deus se alimentar unicamente de insetos não devemos exagerar sua importância econômica, porque não há um exemplo de uma só espécie que tenha alguma preferência em perseguir insetos considerados pragas.

Os mantídeos depositam seus ovos junto com uma substância espumosa, grudada aos galhos, que endurece e tem sempre o mesmo feitio característico de um estojo impermeável chamado ooteca, que protege os ovos em compartimentos possuindo uma abertura para a saída das ninfas (forma jovem semelhante ao adulto), as quais em liberdade, põem-se a perseguir pequenos insetos para se nutrir. Os pequenos insetos quando saem dos ovos já tem a feição geral dos insetos adultos (metamorfose incompleta) faltando-lhes, porém, as asas e o corpo é mais grotescamente disforme que o dos insetos mais crescidos. Em certas regiões de Minas, o povo conhece estes insetos unicamente pelo nome de “bendito”; em Pernambuco são denominados “põe-mesa”.

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Os gregos chamam-nos de Mantis (profeta), nome hoje consagrado pela nomenclatura entomológica. Em certas partes da Ásia e da África o louva-a-Deus é considerado sagrado, ou como reencarnação do espírito de parentes mortos. Se algum deles pousa numa pessoa, esta passa a ser considerada como alguém que goza favores especiais do céu.

No Brasil existem algumas crenças registradas na Amazônia por O. Orico de que para se saber o sexo de uma criança por nascer é só apelar para o “põe mesa”: se segura o inseto e dá-lhe um sopro, se apenas mover as pernas dianteiras, é mulher; se grimpar e tentar saltar sobre a pessoa, é homem.

Os indígenas em seu vocabulário Nheengatu davam ao louva-a-Deus a denominação de emboici (de mboi = cobra e cy = mãe. “Mãe de cobra” pela circunstancia curiosíssima de ser encontrado, ordinariamente, no ventre do inseto um parasita capilar, não raro atingindo mais de um metro se desenovelado e que se solto na água movimentava-se com movimentos ondulatórios como se fosse uma cobra. Essa observação de nosso índios é absolutamente verídica, pois no aparelho digestivo tanto do louva-a-Deus, como do gafanhoto e de vários outros insetos existem esses parasitas da família Mermitidae, interpretados pelos índios como “cobras”.

Fontes:
Insetos no Folclore – Karol Lenko e Nelson Papavero
Dicionário dos Animais do Brasil – Rodolpho Von Ihering

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