Leptospiroses

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A incidência da leptospirose aumenta sempre com a chegada das chuvas, pois esta enfermidade costuma ser estacional, com maior número de casos relatados no verão e no início de outono. É uma zoonose, pois é uma doença que animais portadores podem transmitir ao homem, sendo que os animais funcionam como hospedeiros primários essenciais para a persistência dos focos de infecção, enquanto os seres humanos são hospedeiros acidentais ou terminais.

A Leptospirose é a denominação genérica de um grupo de enfermidades infecto-contagiosas de caráter agudo com sintomas clínicos variados, causadas por uma única bactéria, a Leptospira interrogans, da qual existem vários sorogrupos ou linhagens patogênicas. Dentre os principais sorogrupos descritos e os de maior interesse veterinário são os seguintes: L. icterohaemorrhagie, L. canicola, L .pomona, L. bratislava, L. grippotyphosa, L. bataviae.

Leptospira interrogans e todos os sorogrupos são espiroquetas, um tipo de bactérias longas, delgadas e móveis, que apresentam um movimento de saca-rolha dando-lhe uma mobilidade característica e rápida.

 

Leptospira interrogans

Todos os mamíferos domésticos são potencialmente susceptíveis, isto é, podem adquirir a doença, não havendo predileção por sexo, faixa etária, sendo distribuída em todo o Brasil e mundialmente.

Não há transmissores ou vetores especiais, os reservatórios são os animais domésticos e silvestres, portadores e convalescentes, que mantêm o agente nos rins. Os principais reservatórios domésticos são os suínos, seguidos pelos bovinos e cães. Os ratos costumam ser reservatórios permanentes e, entre animais silvestres encontram-se numerosos portadores entre gambás, preás, raposas, morcegos, etc.

 

Os ratos são importantes transmissores da leptospirose

A doença é endêmica e sua morbidade é bastante alta em todos países que se tem estudado; a mortalidade é baixa, menos de um por cento, quando diagnosticada e tratada a tempo. A manutenção do agente na natureza está assegurada pelos portadores domésticos e silvestres.

Os animais infectados expelem espiroquetas em sua urina, podendo contaminar a água, o solo e alimentos que não estiverem protegidos. Portanto a transmissão da doença pode se dar por contato direto com urina, secreções vaginais, placenta, mordidas ou ingestão de tecidos contaminados; ou por contato indireto com água, solo, comida, objetos contaminados, etc. Animais infectados ou portadores podem expelir as leptospiras pela urina por longos períodos.

A leptospirose pode ser latente ou aguda. Nos animais, os sintomas clínicos, quando presentes, estão relacionados aos distúrbios do fígado e rins. Falta de apetite, vômitos e febre são freqüentemente os primeiros sintomas a serem observados. Mais tarde poderão aparecer sintomas como gastroenterite hemorrágica,  dores no corpo, o animal bebe muita água e urina muito, necrose na ponta da língua e icterícia (mucosas amareladas). O sorogrupo L. bataviae pode causar ainda meningite, uveíte, aborto e infertilidade.

 

Aspecto da icterícia num cão com leptospitose

 

Outro aspecto da icterícia num cão com leptospirose

Em humanos o contágio pode ser direto por contato profissional, como por exemplo: palpação, exame ginecológico, manuseio de abortos, contato com urina contaminada, etc. Pode também ser também por contágio ambiental com a urina de animais portadores domésticos ou silvestres em banhos em lagoas, riachos poluídos e águas poluídas de enchentes nos centros urbanos.

 

Águas de enchentes têm papel fundamental na transmissão da leptospirose

 

Nas pessoas os sintomas são muito variáveis, desde os casos leves, praticamente assintomáticos, até outros mais graves envolvendo cefaléia, febre, vômitos, mal-estar em geral, meningite, encefalite, icterícia, até a morte, se a doença progredir sem diagnóstico.

Portanto, por ser uma zoonose, o Médico Veterinário tem um importante papel no sentido de orientar e reduzir a incidência da leptospirose.

Em terrenos alagados e onde houver reservatórios, as leptospiras têm sua sobrevivência assegurada. Então cabe ao proprietário utilizar todas medidas preventivas de eliminação das possíveis fontes, tais como poças nas instalações, riachos de corrente fraca e lagoas, drenar áreas, evitar que os animais entrem em contato com locais alagados, combater possíveis focos silvestres, principalmente os ratos.

Em criações confinadas é relativamente fácil o controle da leptospirose. O proprietário necessita estar ciente da importância das medidas de higiene e desinfecção dos locais onde os animais vivem, os cuidados com a alimentação e a limpeza dos bebedouros, o acondicionamento correto dos alimentos e rações e também através da vacinação regular dos cães, com vacinas de qualidade comprovada.

Em nossa região (Cotia) a vacinação anual com a Vacina Óctupla já assegura uma boa proteção aos cães. Entretanto, em locais de maior incidência de leptospirose aconselha-se a vacinação semestral. Veja mais em nosso site: Vacinação Preventiva em Cães.

Para maiores esclarecimentos estamos à disposição tanto com relação às orientações gerais sobre este assunto como nos de prevenção e tratamento.
 

 

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