Dirofilariose

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A dirofilariose é uma doença parasitária cardiopulmonar fatal para os cães e gatos. É considerada atualmente como um dos grandes problemas clínicos, que promete tornar-se bem mais sério com o tempo e ainda nenhuma solução realmente definitiva foi proposta.

É causada pela Dirofilaria immitis, um parasita que se aloja no coração e artérias pulmonares de animais picados por mosquitos hematófagos transmissores. A maioria dos cães e gatos infectados não apresenta sintomas clínicos até que a doença atinja um estágio mais avançado, facilitando assim sua transmissão para outros animais.

 


Coração de cão infectado por Dirofilaria immitis

 

A dirofilariose é também considerada uma zoonose, pois há relatos de que aDirofilaria immitis pode parasitar o homem quando picado por um mosquito transmissor.

Entretanto em humanos, este parasita não completa seu ciclo, pois costuma se alojar nos pulmões e fica encapsulado. O que problema é que este parasita encapsulado no paciente humano frequentemente é confundido com tumor, e isso pode levar a cirurgias delicadas e traumáticas (toracotomias).

 


Foto gentilmente cedida pela Merial Saúde Animal Ltda.

 

A dirofilariose está amplamente disseminada ao longo de grande parte dos trópicos. A infecção pelo verme do coração em cães já foi diagnosticada em todo o mundo, existindo regiões endêmicas em vários locais dos Estados Unidos, principalmente ao longo da Costa do Atlântico e do Golfo do México, locais estes onde prevalecem os mosquitos de charco de água salgada. Foi constatado em algumas dessas regiões que cerca de metade dos cães examinados, estavam infectados.

Outras áreas endêmicas no Japão e Austrália, apresentam importantes desafios para os veterinários, embora estas altas taxas tenham contribuído bastante para a compreensão da dirofilariose e seu tratamento.

 
Estima-se que pelo fato do Brasil ser um país tropical, com inúmeras espécies de mosquitos ou pernilongos sugadores de sangue e potencialmente vetores da doença (por exemplo, as espécies Aedes spCulex spAnopheles sp, etc.), o problema seja ainda bem mais grave pois faltam mais pesquisas científicas e levantamentos estatísticos que nos mostrem com que freqüência a dirofilariose ocorre em nosso meio.

Vale salientar que países com graus bem menores de incidência da doença do verme do coração atualmente empregam programas muito mais agressivos de prevenção. Uma vez criado um reservatório de canídeos selvagens e domésticos portadores da dirofilariose e fora do alcance de cuidados veterinários, a sua erradicação torna-se improvável.


O ciclo biológico da Dirofilaria immitis pode envolver muitas espécies de mosquitos. Os mosquitos-fêmeas ao obterem seu repasto de sangue de um cão ou gato infectado por microfilárias (forma larval da Dirofilaria immitis) funcionam como hospedeiros intermediários.

Essas microfilárias se desenvolverão e se tornarão amadurecidas no interior do mosquito depois de 2 a 2,5 semanas. Após este tempo, quando este mosquito infectado picar um cão ou gato saudável para se alimentar, as pequenas larvas serão depositadas junto com a saliva do mosquito na pele do animal. Daí, elas migrarão ativamente nos tecidos corporais nos próximos 100 dias, deslocando-se para o sistema vascular e depois para as pequenas artérias pulmonares.

Na fase adulta, grande parte dos vermes já denominados de dirofilárias estarão residindo nas artérias pulmonares caudais. Entretanto, com o aumento da quantidade das larvas adultas, elas se deslocarão para o coração, particularmente o ventrículo direito, átrio direito e se ainda for maior o número das larvas, também para a veia cava.

Depois de aproximadamente 6 meses após a penetração das larvas infectantes no cão ou gato, ocorrerá a primeira microfilaremia, ou liberação de microfilárias na corrente sangüínea pelas fêmeas de dirofilárias adultas instaladas no coração. Por sua vez, estas microfilárias circulantes sendo ingeridas pelos mosquitos hematófagos fecharão o ciclo.


O método de diagnóstico de maior sensibilidade é o teste de antígeno, pois é quase 100% específico. Algumas vezes podem não ser detectadas microfilárias no sangue (resultado negativo para microfilárias) e o animal apresentar pelo menos um verme fêmea maduro, dando portanto resultado positivo no teste de antígeno.

 
Apesar de existir formas de tratamento relativamente seguros e eficazes, todos esquemas razoáveis de tratamento clínico, no mínimo, requerem hospitalização temporária dos animais infectados, mesmo assim oferecendo um apreciável risco de morte e não há qualquer sucesso notável ou duradouro em restituir de maneira eficaz a função fisiológica de cães pesadamente infectados. Eliminar vermes do interior do coração e artérias pulmonares não é tarefa simples e o prognóstico sempre é reservado.

 

Foto gentilmente cedida pela Pfizer – Divisão Saúde Animal

 

A gravidade da moléstia e seu surgimento são parcialmente o reflexo do número de vermes adultos, que pode variar de 1 a mais de 250 por cão. Já na espécie felina existem relatos de que a média de vermes adultos pode variar de 1 a 9. Sabe-se porém que os gatos são mais resistentes à dirofilariose do que os cães, sendo que seu desenvolvimento exige um nível de exposição aos mosquitos mais alto para os felinos que para os caninos. As preferências dos mosquitos ditam a incidência de dirofilárias nos gatos nas áreas endêmicas.

 
O longo período pré-patente de cerca de 6 meses, o cão ou o gato não apresentam nenhuma evidência de infecção, os vermes em desenvolvimento e a migração não causam nenhum dano. Já no período patente, em que as larvas já podem ser detectadas no sangue circulante é a fase da doença clínica. Nesta fase os vermes adultos provocam obstruções dos vasos, câmaras cardíacas e um desenvolvimento de hipertensão pulmonar progressivo associado a alterações patológicas na rede arterial pulmonar. A presença das dirofilárias adultas vivas causa endarterite pulmonar e fibrose obstrutiva, levando a uma insuficiência cardíaca direita.


Os cães com dirofilariose típica cansam-se facilmente, tossem, apresentam-se abatidos e freqüentemente com os pelos eriçados. A descompensação do coração direito leva a uma congestão venosa crônica, com cirrose hepática e ascite. A obstrução pulmonar leva a episódios agudos de angústia respiratória, desmaios e em casos mais graves, o animal pode expelir sangue e vermes nos acessos de tosse. Em gatos, os sinais clínicos envolvem principalmente uma doença respiratória intermitente, com tosses, falta de ar, vômitos esporádicos não associados a ingestão de alimentos, perda de peso e falta de apetite.

 
A redução do número de mosquitos pode ser obtida com a drenagem de charcos de regiões endêmicas. Sabe-se que em locais onde a malária foi erradicada, o verme do coração ainda continuava a ser endêmico, talvez porque este parasita seja menos discriminativo na espécie de mosquito vetor ou mesmo por motivos mais difíceis de serem compreendidos. Em todo o caso, quando as populações de mosquitos são suficientemente diminuídas, o verme cardíaco também irá reduzir drasticamente.

 
O tratamento quimioprofilático preventivo é a ferramenta mais importante no controle do verme do coração. A nós veterinários cabe orientar, instruir e informar os clientes sobre a importância de se tratar preventivamente todos os cães, principalmente em épocas mais quentes e úmidas, quando a população de mosquitos aumenta.

 
Atualmente existem medicamentos microfilaricidas altamente eficazes, geralmente de administração mensal, que matam as microfilárias inoculadas pelos mosquitos infectados nos cães e gatos previamente tratados, impedindo assim que o verme do coração complete seu ciclo.

É importante lembrar que os benefícios resultantes dos esforços da comunidade em se tratar um maior número de cães com medicamentos microfilaricidas vai muito além daqueles diretamente resultantes dos cães que recebem essa proteção, pois quanto maior o número de cães tratados, menor o risco de propagação desta zoonose potencial.

 
Sempre é bom destacar que é estrategicamente importante em se determinar a condição do verme do coração antes do início do tratamento preventivo no animal, pois pode haver confusão de diagnóstico se já estiver instalado o verme adulto. Neste caso o tratamento microfilaricida preventivo não é o indicado, havendo a necessidade da hospitalização do animal e de se utilizar fármacos específicos que combatam as dirofilárias adulta.

 

 

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