Dicas Práticas Sobre o melhor amigo do homem

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Só quem teve um cão sabe o que é ser amado”   Friedrich Nietzsche
Vinicius de Moraes, ícone da boemia carioca, apelidou o uísque de “cachorro engarrafado”, fazendo uma piada etílica em torno do título deste artigo. De fato, nenhum outro animal tem estado há tanto tempo tão próximo do ser humano como o cão. Os cães satisfazem a necessidade que os homens têm de estabilidade, confiança e honestidade. Cães são terapêuticos. Estimativas válidas para o Brasil urbano dão conta de uma população canina equivalente a um quarto da população humana, o que significa mais de 2,5 milhões de caninos, apenas para o município de São Paulo.

Tendo em vista a importância dessa amizade entre o homem e o cachorro, o Jornal da FBG pesquisou sugestões práticas para os que têm um amigo de quatro patas e para os que pretendem tê-lo.
 O que significa ter um cachorro?
Os cães vivem em média 12 anos, dependendo da raça, e são animais com características afetivas extremamente desenvolvidas. Ter um cachorro exige responsabilidade e dedicação, mas é garantia de ternura e momentos alegres. Cães não são brinquedos que se oferecem às crianças, mas precisam ser tratados como membros da família e têm necessidades especiais.
A decisão de comprar ou adotar um cachorro é muito mais séria do que a decisão de comprar um automóvel, perdendo apenas para a decisão de ter filhos e da escolha da casa. Antes de ter um cachorro, é preciso ser capaz de responder afirmativamente à seguinte pergunta: tenho tempo e recursos para dedicar-me ao bem-estar do animal? Por exemplo, pessoas que moram em apartamento conseguem levar o cachorro para dar uma volta na rua, pelo menos duas vezes ao dia?
Há uma psicologia canina
Os donos mais atentos acabam descobrindo como interpretar as ações e reações de seus cachorros. Após alguma convivência, descobrem que sua mascote “fala”. O cão é o animal que melhor sabe se comunicar.
Há uma psicologia canina cuja compreensão permite um bom relacionamento entre dono e animal: olhares, latidos, muxoxos e determinados movimentos revelam o estado emocional e as necessidades do cachorro, cujo comportamento varia de animal para animal, conforme o comportamento canino geral, as características específicas da raça e o jeito de cada indivíduo.
Cães e suas vocações
O que chamamos de cães de raça são animais desenvolvidos artificialmente por cruzamentos controlados, com a finalidade de se obter animais adaptados a determinados fins. Desse modo, os buldogues ingleses foram desenvolvidos para controlar touros no campo, agarrando-se ao focinho desses animais.Os cachorros de pernas curtas, bassets em geral, foram selecionados para perseguir animais que entocam, como coelhos.
Há centenas de raças de cães, mas, sob o ponto de vista de sua relação com o homem, elas se dividem em seis categorias maiores: guarda, pastoreio, caça, busca (incluindo os farejadores), transporte e companhia (incluindo cães-guias para cegos e surdos). Antes de escolher o animal, é muito importante levar em conta a vocação de cada raça. Pastores-alemães não ficam felizes presos dentro de casa; tampouco poodles dão-se bem sozinhos no quintal o tempo todo. Buldogues não devem andar muito, enquanto labradores andam quilômetros.
Se você mora em apartamento, um pinscher miniatura pode parecer uma boa escolha, em virtude do tamanho, mas, como se trata de minicão de guarda, passará o dia inteiro alertando os donos (e infelizmente também os vizinhos) sobre qualquer movimento nas redondezas. Também não é boa ideia colocar o dócil labrador para guardar o seu quintal: ele poderá fazer amizade com o ladrão.
Muitas raças são versáteis: pastores alemães são ótimos cães de guarda e também extraordinários guias para cegos. Cuidado: nem todos os cães da mesma categoria vocacional têm a mesma adaptabilidade. Famílias com crianças pequenas devem preferir beagles a poddles pequenos, que tendem à irritabilidade quando há excesso de movimento e barulho. Beagles adoram uma farra.
Conhecer as características psicológicas da raça antes de adquirir o animal é importante para a harmonia no relacionamento entre dono e cão.
As seis maiores categorias vocacionais
Cães de guarda
De modo geral, pertencem a essa categoria cães de grande porte, agressivos, como orotweiler e o doberman, este último desenvolvido por um coletor de impostos alemão que precisava de proteção ao transportar os recursos recebidos dos contribuintes. Mas também pertence a essa categoria o pinscher miniatura que, a seu modo, cumpre o papel de guarda, anunciando escandalosamente a chegada de estranhos.
Pastoreio
Nessa categoria, estão os cães que recebem as melhores notas nos testes de inteligência: no topo da lista, o border collie. São cães dessa natureza toda a série de pastores, entre eles, o conhecido pastor-alemão, um animal extremamente versátil, que pode servir também com cães de guarda e cão-guia para cegos. A tarefa de pastoreio exige cães que tenham simultaneamente porte, inteligência e agilidade.
Caça
Nessa categoria muito ampla, há animais tão diferentes como o cocker spaniel e o west highland white terrier. A maioria dos bassets dachshunds pertence a esse grupo. A diversidade dos caçadores explica-se pela diversidade da caça. As diversas linhagens de cães de caça foram sendo adaptadas para essas circunstâncias. O modus operanti de cada raça varia: alguns cães atacam diretamente a vítima, outros espantam as aves para a linha de tiro. Galgos e assemelhados são lébreis, isto é, velozes caçadores de lebres.
Busca (incluindo os farejadores)
Quando são destinados a apanhar a caça abatida e tem grande porte, recebem a denominação de retrievers, em inglês. Há vários exemplos como o golden retrivier e obeagle. Se a vocação dos cães de busca for a localização da presa, são chamados depointers, dos quais a linhagem setter é a mais conhecida. Quando são hábeis em farejar pistas, drogas ou vítimas sob escombros, perfazem a categoria dos sabujos ou, em inglês, os bloodhounds, como o basset hound.
Transporte
Categoria restrita às localidades de difícil acesso, como regiões polares e locais montanhosos. Nas regiões polares, há o exemplo tradicional do husky siberiano e osamoieda. Nas regiões geladas dos alpes, o exemplo mais conhecido é o são-bernardo, que conta com prestígio mítico, pois, além de puxar trenó, diz o folclore, levaria aguardente para aqueles que se perderam na imensidão da neve.
Companha (incluindo cães-guia para cegos e surdos)
Nessa categoria, de modo geral, estão cães de pequeno porte, também chamados de cães de colo (fraldiqueiros). Os cães de companhia, de modo geral, são amistosos, alegres e extremamente dependentes emocionalmente de seus donos. Possivelmente nenhuma raça foi desenvolvida com esse objetivo em primeiro lugar. No entanto, muitos cães evoluiram de seu objetivo original para o convívio humano direto. Os melhores exemplos são o poodle, o maltês, o yorkshire, o bichon frisé e o pequinês.

 

Convivendo com seu amigo Depois de escolhido o animal, começa uma longa relação que, dependendo da raça, pode durar até 17 anos. Alguns conhecimentos são fundamentais para a boa relação com o cachorro:

a. Quem manda.

O cachorro é um animal gregário, ou seja, ele interpretará a família que o adotou como sendo sua matilha. Deixe claro que o chefe é você. O truque é trabalhar com a psicologia do cachorro. Tome sempre a iniciativa; afinal, você é o líder. Passe pelas portas antes delee estabeleça um regime de recompensa com petiscos ou elogios e afagos. Dê uma ordem de cada vez, com clareza e repetindo sempre a mesma fórmula. Cães altamente treinados, como os guias para cegos, são adestrados preferencialmente em alemão, por causa da clareza incisiva dessa língua.
b. Necessidades no lugar certo.

Nunca castigue e muito menos esfregue o focinho do cachorro nas fezes depositadas em lugares inadequados. Escolha um lugar para banheiro (preferencialmente superfícies duras em vez de grama) e conduza o cão até lá nos momentos em que ele tende a defecar como, por exemplo, depois de acordar e vinte minutos após as refeições. Com o tempo, o seu cãozinho vai se acostumar com a rotina e só sujará outro lugar excepcionalmente.
c. Relacionamento com estranhos.

Cachorros agridem estranhos por alguma razão que seus donos nem sempre são capazes de detectar. Compreender os motivos desse comportamento ajuda a evitá-lo. Se o cachorro agride estranhos por medo, incentive os visitantes a serem amistosos com ele, dando-lhe um petisco, por exemplo.

Se o comportamento agressivo tem origem na tentativa de proteger seus brinquedos e comida, ofereçalhe um petisco mais atraente que a comida. Se a agressão é uma disputa pela liderança da matilha, reafirme sua posição de chefe, isolando-o, se for o caso, mas nunca agredindo fisicamente o cão. Se a agressão tem origem na defesa do território, instrua os visitantes a não encarar o cachorro e a jogar petiscos antes de entrar, pagando o “pedágio”.
d. Alimentação correta.

Cachorros são animais capazes de adquirir os mesmos maus hábitos alimentares dos donos. São gulosos e adoram comer bobagens o dia inteiro. Depende apenas do dono impor limites. A melhor política é educar o cachorro, desde filhote, a comer a ração balanceada indicada pelo veterinário, em horários fixos, não deixando a comida à disposição do cachorro o dia inteiro. Exceções à dieta normal só no caso da premiação com petiscos.
e. Não destruir as coisas.
Entre 6 e 12 meses, filhotes tendem a roer tudo. Esse comportamento em cães adultos é anormal, sendo ocasionado por tédio prolongado. A terapia para esse comportamento é dar um brinquedo para o cachorro mastigar Limite os brinquedos a três ou ele achará que pode roer a casa inteira. Canse o seu cachorro e ele terá pouca disposição para destruir a mobília.
Cuidados básicos com a saúde do animal
a. Saúde da boca, olhos e orelhas.

Todo dono responsável de cachorro faz manutenção permanente dos olhos, das orelhas e da boca de seu animal, três áreas potencialmente complexas e cuja higiene garante ao cachorro uma boa qualidade de vida. Como é de se esperar, cachorros em geral não gostam de escovar os dentes. Mas lembre-se: você é o chefe da matilha.
b. Banho.

Todo cachorro precisa de banhos regulares; a periodicidade e o método dependem de cada raça. De modo geral, cachorros detestam banho, o que não quer dizer que você deva submeter-se à vontade deles.

É um mito a ideia de que banhos frequentes prejudicam a pele do cachorro. Ao contrário, os banhos retiram da pele do animal ácaros, pulgas, carrapatos, pedaços de chicletes e excessos de pele morta.
c. Tratamento do pêlo.

Se há resistência dos cachorros em tomar banho, existe quase uma unanimidade entre eles em gostar de serem escovados, sobretudo as raças que têm pelagem longa. Lembre-se de que seu cachorro é totalmente coberto de pelos, os quais estão em contato com o meio ambiente.
Através dos pelos, instalam-se na pele do seu cachorro as pragas dermatológicas mais incômodas. Há no comércio medicamentos de fácil aplicação que evitam a infestação de pulgas, carrapatos e a dirofilariose canina (também conhecida como “verme do coração”). A qualidade da saúde dos pelos do cachorro é um indicador muito confiável da atenção que recebe do dono.

d. Medicina preventiva.


O seu cachorro infelizmente não consegue descrever exatamente o que está sentindo, como faz o ser humano. Por causa disso, os problemas de saúde do animal são muito difusos e precisam ser prevenidos. Uma visita periódica ao veterinário é aconselhável, para ministrar vacinas e prevenir doenças graves e potencialmente fatais, como a cinomose.

SRD (Sem Raça Definida)
Há dois tipos de cães SRD: os híbridos (cruzamento de raças diferentes e conhecidas, p. ex., poodle e yorkshire) e os vira-latas (derivados de cruzamentos fortuitos). A vantagem de se adotar um cão SRD é a redução do risco de doenças genéticas e a diminuição desses animais nas ruas. A desvantagem, no caso dos vira-latas, é não saber qual será a vocação do animal. Entretanto, cada vez mais, os amantes de cachorros não se importam com esse detalhe.

 
 Doações de animais
Entidades de proteção dos animais entre elas a União Internacional Protetorados Animais         (www.uipa.org.br) e Arca Brasil (www.arcabrasil.org.br), além do Centro de Zoonose de cada cidade fazem doação de animais recolhidos das ruas por abandono e outras situações. Os  animais geralmente são saudáveis, vacinados, castrados e vermifugados.
Fonte: Josi S. Tanaka
Jornal da Federação Brasileira de Gastroenterlogia – Volume 22  – Número 2 – Ano 2010
Revisou esta matéria Dr. Gerson Bertoni Giuntini
Informações pesquisadas em várias fontes, em especial no guia ilustrado Zahar, Cães/Dr. Bruce Fogle. Jorge Zahar Editora, Rio de Janeiro-2009.

 

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