Coprofagia ou a Ingestão de Fezes

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A coprofagia ou a ingestão de fezes próprias ou de outros animais é uma infeliz tendência que os cães podem apresentar e é uma queixa bastante comum dos proprietários em clínicas veterinárias. Para os filhotes jovens, este comportamento pode ser considerado relativamente normal, mesmo sendo indesejável na perspectiva do proprietário.
 
Os filhotes geralmente comem as fezes dos cães mais velhos e dos companheiros de ninhada como forma de explorar o meio ambiente. Embora haja controvérsia, alguns pesquisadores também explicam a ingestão de fezes como uma forma de estabelecer a microflora intestinal. O comportamento ocorre mais freqüentemente em filhotes confinados, que vivem em ambientes relativamente estéreis e não fazem exercícios suficientes ao ar livre.
 
 
 

Geralmente o cão é punido pelos proprietários por fazer suas necessidades em local impróprio. Esta punição, quase sempre não ocorre no ato, mas sim quando os proprietários verificam o ocorrido. Isso levará o cão a defecar cada vez mais na ausência deles e, posteriormente sumir com a prova, ou seja, comer suas fezes. Dizem os especialistas que essa pode ser uma das causas da coprofagia em cães.
 
Outra causa é o fortalecimento das atitudes do cão por parte de seus donos. Ao descobrirem que o animal come seus excrementos, os donos correm para interrompê-lo, gerando uma competição entre ambos. Com isso, o cão ingere suas fezes para ter a certeza de que seus excrementos não serão retirados dele.
 
As defecações em locais impróprios devem ser ignoradas pelo proprietário e não colocar o focinho do cão em seus excrementos como castigo, pois apesar de causar repugnância para as pessoas, para o cão isso não ocorre. Sobretudo procure não limpar as fezes na presença do animal, pois o ato de se abaixar muitas vezes é entendido como um convite para brincar.
 
 
 

O castigo para os cães que ingerem fezes é inegavelmente inútil já que o comportamento é auto-compensador. Um aparente sucesso obtido com o castigo apresenta várias falhas, aumentando a probabilidade do comportamento ser repetido posteriormente. O tratamento de eleição é impedir o acesso do cão às fezes, já que a coprofagia aparece mais freqüentemente em locais em que há falta de higiene.

Outra técnica que pode ser tentada é a aversão ao gosto. A aversão ao gosto é útil para eliminar vários comportamentos relacionados com o paladar. Use uma substância de gosto desagradável como a pimenta, por exemplo. Deixe o filhote cheirar bem a substância e coloque-a imediatamente em sua boca para que sinta o gosto desagradável. Isto ensina a associação de um odor particular a um gosto bastante desagradável. Sempre que as fezes ou outros objetos forem revestidos com a substância desagradável, inibirá o cão a ingeri-la devido à má experiência anterior que o filhote teve. Revestir o objeto sem a lição preliminar geralmente conduz a um insucesso.
 
Atualmente existem medicamentos que têm a função de reduzir a ingestão de fezes pelos cães. O funcionamento dele consiste em deixar as fezes com gosto repugnante após passar pelo trato digestivo do cão coprofágico.

Normalmente o comportamento de ingerir fezes deve desaparecer por volta dos três ou quatro meses de idade. Se persistir, a causa precisa ser descoberta, pois várias razões podem levar um cão a comer fezes como, por exemplo, as verminoses e protozoários, as deficiências nutricionais, a dificuldade em digerir completamente os alimentos, porque odores alimentares podem ainda estar presentes nas fezes incentivando o cão a ingeri-las.
 
Inclusive se tem mencionado como causa da ingestão de fezes a adição de substâncias aromáticas aos alimentos industrializados para cães visando aumentar a apetência. Estas substâncias podem chegar às matérias fecais sem serem digeridas completamente e incitam os animais a comerem seus excrementos.

Para aqueles cães que têm o hábito de ingerir as fezes de gatos, a explicação está no fato das fezes dos gatos terem esta forte atração devido ao alto conteúdo de proteínas. O método mais fácil e eficaz de cessar este problema é orientar ao proprietário que coloque a caixa de dejetos dos gatos em local inacessível ao cãozinho. Também neste caso a punição para este comportamento não é compreendida pelo filhote, portanto nem adianta tentar.
 
 
 

A ingestão de grama e mato é outro tipo de problema de alimentação sobre o qual os proprietários perguntam aos veterinários, principalmente porque depois de ingerí-los,eles ainda vomitam.
 
É importante lembrar que os carnívoros consomem naturalmente matéria vegetal na sua dieta normal. Os carnívoros selvagens como os lobos, por exemplo, obtêm essa matéria vegetal do trato digestivo dos herbívoros que caçam no meio ambiente em que vivem, tais como os veados, coelhos, preás etc. Já os gatos a obtêm dos ratos e camundongos. Um detalhe sobre estes vegetais ingeridos pelos carnívoros proveniente dos herbívoros caçados é que estes vegetais já estão parcialmente digeridos.
 
Atualmente o cão doméstico praticamente já não tem mais esta oportunidade para caçar e deve depender dos humanos para obter seu alimento. Quando a matéria vegetal é insuficiente o cão procura nas plantas tenras suas necessidades e, como falta aos carnívoros em geral as enzimas digestivas presentes nos herbívoros, a matéria vegetal irá provocar uma ligeira irritação no estômago provocando o vômito. Neste caso, uma dieta com uma boa ração balanceada ou um pouco de vegetais cozidos adicionados ao alimento do filhote ajudará a cessar o problema dos vômitos, justamente porque o animal reduzirá a ingestão de grama.

No caso da ingestão de fezes de cavalos e bovinos, a causa está mais relacionada com a necessidade da matéria vegetal do que um comportamento coprofágico. Estas fezes contêm muitas fibras digeridas, se tornando portanto uma boa fonte vegetal para o filhote. Também neste caso a adição de vegetais na dieta ou a utilização de ração balanceada pode reduzir ou cessar completamente o problema.
 
 

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