Convulsões – Epilepsia

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O termo convulsão refere-se ao distúrbio paroxístico, isto é, um ataque súbito e involuntário do cérebro, geralmente manifestando-se como uma atividade muscular descontrolada.  

Epilepsia refere-se à recorrência ou repetição das convulsões, particularmente se a causa fundamental não pôde ser identificada, é a chamada epilepsia idiopática.
 
As convulsões caracteristicamente são não precipitadas, estereotipadas e cessam espontaneamente.

A epilepsia é, portanto, uma enfermidade funcional do cérebro caracterizada por convulsões tônico-clônicas, periódicas, recorrentes geralmente de breve duração e aparentemente similar à epilepsia do homem. A epilepsia idiopática foi descrita em muitas espécies, mas com grande freqüência nos cães, principalmente nas raças Cocker Spaniel, Beagle, Pastor Alemão, Setter Irlandês, etc.

Animais com epilepsia freqüentemente tem uma história de nervosismo e desorientação antes do quadro convulsivo. Esta fase pré-ataque é seguida pelas próprias convulsões, que normalmente duram de 1 a 2 minutos e se caracterizam pela perda ou perturbação da consciência, pelo olhar fixo, pela alteração do tono muscular, pelos movimentos dos membros (tônico-clônicos). Em alguns casos, os animais que estão convulsionando podem apresentar micção, evacuação e salivação. As convulsões podem começar no primeiro ano de vida do cão, mas com maior freqüência no segundo ano.

O local de origem das convulsões no cérebro é chamado de foco das convulsões. As convulsões podem ser amplamente divididas em dois grupos: as formas convulsivas generalizadas e as focais (ou parciais).

As convulsões generalizadas costumam se originar no córtex cerebral, tálamo ou tronco cerebral, estando associadas à disfunção eletroencefalográfica e clínica simétrica. As principais convulsões generalizadas afetando cães e gatos são as do grande mal (motor principal, tônico clônico). As convulsões do pequeno mal, que se manifestam pela perda parcial da consciência e do tônus muscular, são um segundo tipo relativamente comum de convulsões generalizadas em seres humanos, mas de rara ocorrência em animais.

As convulsões focais caracteristicamente incluem aspectos clínicos que permitem uma localização mais precisa do foco das convulsões. Temos, por exemplo, as que se caracterizam por alterações comportamentais tais como agressão, mordidas em objetos imaginários (mordidas em moscas) e caça à cauda sendo que suas localizações estão relacionadas com o sistemas límbico ou lobo temporal (convulsões têmporo-límbicas). As convulsões motoras focais geralmente se manifestam clinicamente por movimentos tônicos no lado do corpo contralateral ao foco das convulsões. Estes movimentos tônicos podem ficar confinados a este lado, mas com freqüência generalizam-se em poucos segundos.
 
 
 
 
 

Indivíduos que nunca exibiram evidência clínica de convulsões podem apresentar focos de convulsões, entretanto o limiar para a atividade das convulsões varia de indivíduo para indivíduo, implicando numa susceptibilidade inerente aos distúrbios convulsivos.
 
Uma alteração que afete o cérebro primariamente (causa intracraniana) ou secundariamente (causa extracraniana), pode alterar o limiar das convulsões. As principais afecções intracranianas que podem causar convulsões estão incluídas a encefalite, traumatismos, infarto cerebral, neoplasias e lesões congênitas como a hidrocefalia.
 
Já as afecções extracranianas, causam a convulsão por alterar a homeostase (equilíbrio) bioquímico do cérebro. Neste caso, se a agressão for externa ou exógena temos o caso das intoxicações com organofosforados, estricnina, hidrocarbonetos, por exemplo. Se a agressão for interna ou endógena a anormalidade ocorre em outro sistema do organismo como no caso da encefalopatia hepática, hipoglicemia , hipocalcemia, deficiência de vitaminas A e B, por exemplo.
 
Convulsões simples geralmente são transitórias, apresentando pouco efeito residual observável, contudo animais em estado epiléptico precisam ser avaliados e tratados tão logo seja possível, ou poderá sobrevir a morte.
 
 A conduta, normalmente está associada à coleta de sangue para determinar os parâmetros bioquímicos séricos como a glicose e o cálcio, por exemplo, para o início da terapia anticonvulsivante, no entanto as convulsões, freqüentemente, não podem ser completamente eliminadas, a despeito da causa.
 
O tratamento deve ser direcionado, se possível, para causa fundamental das convulsões, caso a mesma seja conhecida. Quando se desconhece a causa não há um tratamento específico e o mesmo deve ser encaminhado para alívio dos sintomas clínicos.
 
Se for firmado um diagnóstico de epilepsia idiopática é indicado uma terapia anticonvulsivante, pois há indícios que a cada convulsão poderemos ter o cérebro mais susceptível ao aparecimento de outras convulsões.
 
Costuma-se considerar a utilização dos anticonvulsivantes quando as convulsões estiverem ocorrendo a cada 6 semanas e muitas vezes é necessário que o tratamento deva ser continuado por toda a vida do animal.
 
Apesar disso, em alguns casos, o animal pode estar utilizando corretamente os anticonvulsivantes, e mesmo assim os episódios podem continuar presentes e pior ainda, os medicamentos utilizados podem provocar efeitos colaterais potenciais. Por outro lado, outros animais podem ter uma vida relativamente normal, caso seja ministrada corretamente a medicação anticonvulsivante.
 
Enfim, tudo isso deve ser discutido e explicado pelo veterinário antes do início do tratamento para que o proprietário tenha consciência do prognóstico reservado que essa doença apresenta.
 
 

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