A idade chega para todos

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Eles já correram, pularam e aprontaram as suas. Sim, porque todo cão que é cão já roeu um objeto que era o predileto dos donos, quebrou um vaso de flores, ou então, destruiu um sapato esquecido na área de serviço. Agora, mais maduros e experientes, os cachorros da “terceira idade” preferem uma boa cama e momentos de sossego.

Os pelinhos brancos de Shila não a deixam esconder a idade. No auge de seus 17 anos – em novembro completará 18, a cadelinha pinscher recebe muito carinho e atenção dos donos. “Todo dia ela come uma fatia de mamão papaia com cereal. No almoço, arroz integral, carne e ração”, conta a professora Luisa Garcia Ferreira, dona da cadelinha. Quando ia completar 16 anos, a pincher teve uma infecção e precisou retirar o útero e o ovário. Luisa explica que, desde então, a Shila ficou mais quietinha. “Ela não pula mais, não brinca e está ficando cega. Não sei se a queda foi por conta da cirurgia ou pela idade”.

Assim como os humanos, os cães também passam por alterações em seu metabolismo quando envelhecem. “Alguns donos me procuram porque o cão mudou de comportamento. Por exemplo, com uma voltinha no quarteirão ele já fica ofegante. Salvo as devidas proporções, a fisiologia dos cães é igual a nossa. É a mesma coisa que fazer um exame em um adolescente e em um senhor de 60 anos”, explica o veterinário Henry Kanabayashi, da Clínica Veterinária Texas.

A longevidade do cão pode variar de oito a 12 anos, dependendo da raça e porte do animal. Porém, o avanço da medicina veterinária, ampliando as opções de tratamentos e oferecendo alternativas que, até alguns anos, eram inimagináveis, está contribuindo para que o cachorro tenha uma expectativa de vida ainda maior. “O cão não é mais visto apenas como um animal, mas sim como um membro da família. A dieta alimentar e os cuidados mudaram, assim como as idas ao veterinário se tornaram mais frequentes. Tudo isso contribui para a melhoria da qualidade de vida deles”, diz Kanabayashi.

Chanel e Otto reforçam a teoria de que os cães estão vivendo mais. A cadela Chanel viveu até os 21 anos em Nova Iorque, nos Estados Unidos, enquanto Otto morou até os 20 anos no Reino Unido. Ambos são Dachshunds e superaram a média de vida de 13 anos, estimada para a raça. O marco dos dois cães, que faleceram recentemente, foi parar até no Livro dos Recordes, na categoria Cães Mais Velhos do Mundo.

Cuidados especiais

Quase sem dentes e enxergando muito pouco, hoje Shila exige cuidados especiais.

“Ela não sai mais na rua para passear e fazer as necessidades. Costuma acordar entre 2h e 3h da amanhã e fica andando pela casa”, conta Luisa.

Com o avanço da idade, os donos devem ficar atentos a algumas doenças geriátricas que costumam acometer os animais, caso da insuficiência renal, problemas cardíacos, de coluna, nas articulações, catarata e o diabetes. “É importante prestar atenção a qualquer alteração que não seja comum no dia a dia do animal. Por exemplo, se o cão está se cansando com facilidade, se bebe muita água, falta de apetite”, indica Kanabayashi.

Oferecer uma dieta balanceada para o pet também é fundamental. Segundo a veterinária da Vetnil, Isabella Vincoletto, o dono deve optar por alimentos mais tenros e de fácil mastigação. “Na velhice, os animais tendem a apresentar uma diminuição da massa muscular e, muitas vezes, se tornam obesos, mostrando a necessidade de uma alimentação com uma quantidade adequada de proteínas de alta qualidade para minimizar as perdas das reservas de proteína do organismo”, informa Isabella, que também reforça a necessidade da prática de atividades físicas regulares.

“A manutenção do peso corporal é um dos fatores determinantes para a prevenção de artrites e artroses”.

Outro cuidado pouco lembrado é com a higiene bucal, que deve ser feita em cães de qualquer faixa etária. De acordo com Kanabayashi, a higienização deve começar cedo, para evitar complicações futuras. “A boca tem mais bactérias do que o reto do animal. Deve-se ter muito cuidado, pois o acúmulo de tártaro pode ser prejudicial para a saúde do cão, podendo acarretar, inclusive, em problemas cardíacos”.

Mais importante do que buscar a longevidade do cão, é fazer com que ele viva com qualidade. Cuidados com a saúde e a alimentação são essenciais para a garantia de uma velhice equilibrada.

Fonte: UniversoPet

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